A dificuldade em se colocar no lugar do outro - Terapeuta de Casal
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A dificuldade em se colocar no lugar do outro

A dificuldade em se colocar no lugar do outro

por Débora Paschoal Lambiasi - CRP 06/12227-1

 Joaquim chega em casa após um longo dia de trabalho, já imaginando o que sua esposa preparou para o jantar. Foi um dia difícil, e ele estava com muita fome. Deita-se no sofá e chama sua mulher para perguntar sobre o cardápio da noite.

Enquanto isso, Kátia, que tinha acabado de voltar do mercado, olha para seu marido deitado no sofá e começa a sentir uma raiva que a deixa vermelha. Ela trabalhava meio período em home office e o restante do dia era dedicado a cuidar da casa e fazer compras.

Quando Kátia disse que não teve tempo de preparar o jantar, Joaquim ficou furioso e expressou o quanto era difícil trabalhar o dia todo e não ter o que comer quando chegava em casa exausto. Kátia, ainda mais irritada, explicou o quanto era desafiador equilibrar o trabalho de manhã, os afazeres domésticos à tarde, e, ao mesmo tempo, não receber nenhum reconhecimento, sendo cobrada como se fosse uma empregada.

Essa é uma situação fictícia, mas reflete muitos casos que tenho visto em meu consultório. Observando a situação de fora, podemos compreender as razões de ambos, mas também entender a frustração que sentem.

Apesar do acordo entre os dois, no qual Joaquim trabalharia por mais tempo e Kátia cuidaria da maior parte das tarefas domésticas, as expectativas de cada um eram diferentes, e isso gerava frustração devido às expectativas não atendidas. Isso é comum em muitos relacionamentos, especialmente entre casais que vivem juntos.

Kátia esperava que Joaquim reconhecesse seu esforço e a convidasse para jantar fora naquele dia em que ela enfrentou uma longa fila no mercado. Joaquim, por outro lado, esperava um planejamento melhor por parte da esposa para garantir uma refeição adequada após um dia exaustivo de trabalho. Em vez de conversarem sobre seus sentimentos, acabaram discutindo, o que levou Joaquim a sair para comer sozinho e Kátia a buscar refúgio na casa de uma vizinha. Dormiram brigados, e após várias discussões semelhantes, decidiram procurar terapia de casal como última tentativa de salvar seu relacionamento.

É desafiador colocar-se no lugar do outro, especialmente quando estamos emocionalmente envolvidos, e essa é uma das principais causas de discussões em relacionamentos disfuncionais.

Mas por que é tão difícil se colocar no lugar do outro?

  • Diferenças individuais: Cada pessoa é única, com experiências de vida, crenças e perspectivas próprias. Compreender e se relacionar com essas diferenças pode ser complicado.
  • Falta de conhecimento: Às vezes, as pessoas não têm informações suficientes sobre as circunstâncias e experiências do outro, o que torna difícil compreender suas emoções e pontos de vista.
  • Vieses e preconceitos: Nossos preconceitos pessoais e estereótipos podem impedir a empatia. Podemos julgar os outros com base em características superficiais, como raça, gênero, religião, etc.
  • Falta de prática: A empatia é uma habilidade que pode ser desenvolvida, mas requer prática. Se alguém não está acostumado a se colocar no lugar do outro, pode não ser natural no início.
  • Estresse e sobrecarga emocional: Quando as pessoas estão sob estresse ou lidando com suas próprias dificuldades emocionais, pode ser desafiador encontrar a capacidade de se concentrar nas necessidades e emoções dos outros.
  • Medo de ser vulnerável: Algumas pessoas temem que a empatia as torne vulneráveis ou que possam ser exploradas pelos outros. Isso pode criar resistência à empatia.
  • Falta de incentivo: Em algumas situações sociais, a empatia pode não ser incentivada ou valorizada, o que leva as pessoas a não praticá-la.

Ao entender a importância da empatia para melhorar o diálogo no relacionamento e torná-lo mais harmonioso, aqui estão algumas dicas sobre como praticá-la:

  • Ouça atentamente: Esteja totalmente presente quando seu parceiro estiver falando. Evite distrações, como dispositivos eletrônicos, e preste atenção total ao que estão compartilhando. Faça contato visual e mostre que você está interessado no que estão dizendo.
  • Faça perguntas abertas: Em vez de presumir que você sabe o que seu parceiro está sentindo ou pensando, faça perguntas abertas para entender melhor. Pergunte como se sentem e o que estão pensando, para que eles tenham a oportunidade de se expressar.
  • Pratique a escuta ativa: A escuta ativa envolve não apenas ouvir, mas também repetir ou resumir o que seu parceiro disse para garantir que você compreendeu corretamente. Isso demonstra que você está genuinamente interessado em compreendê-los.
  • Mostre empatia verbalmente: Use afirmações empáticas, como "Entendo como você se sente" ou "Isso deve ser difícil para você". Isso valida as emoções de seu parceiro e mostra que você se importa.
  • Evite julgamentos: Tente suspender qualquer julgamento ou crítica enquanto seu parceiro se abre para você. Evite interromper ou se defender imediatamente. Deixe seu parceiro expressar suas emoções e pensamentos sem medo de ser repreendido.
  • Comunique suas próprias emoções: Compartilhe suas próprias emoções e pensamentos de maneira honesta e aberta. Isso pode criar um ambiente de comunicação aberta e encorajar seu parceiro a fazer o mesmo.
  • Pratique a paciência: Às vezes, as emoções podem ser intensas, e é importante dar espaço para que seu parceiro se expresse sem pressioná-lo. Seja paciente e permita que eles falem no seu próprio ritmo.
  • Ofereça apoio: Esteja disposto a oferecer apoio emocional e prático, se necessário. Pergunte como você pode ajudar e esteja presente para seu parceiro quando eles precisarem de você.
  • Respeite as diferenças: Lembre-se de que vocês são indivíduos com experiências e perspectivas diferentes. Respeite as diferenças de opinião e evite tentar "corrigir" ou mudar o seu parceiro.
  • Pratique a empatia diariamente: A empatia é uma habilidade que melhora com a prática. Certifique-se de incorporar essas práticas em seu relacionamento diariamente para fortalecer a conexão emocional.

Essas dicas são extremamente benéficas para melhorar a comunicação dentro do relacionamento. É claro que a teoria parece muito mais simples do que a prática, uma vez que todos temos nossas dificuldades, crenças e valores que se manifestam ao longo da vida. No entanto, o autoconhecimento, as trocas com o parceiro para se conhecerem melhor e a ajuda de um profissional fazem toda a diferença para colocar a teoria em prática.

Praticar a empatia em várias situações do dia a dia, com colegas de trabalho, amigos, familiares, prestadores de serviços e, principalmente, com seu parceiro ou parceira, proporcionará uma nova perspectiva e facilitará a compreensão, modificando emoções e pensamentos e tornando a comunicação mais leve e gratificante. Vale a pena!

E se você estiver achando isso muito difícil, não hesite em buscar ajuda. Reconhecer nossas dificuldades não nos torna fracos ou incompetentes, mas demonstra nossa força e coragem em nos conhecer. A busca por ajuda pode ser um passo importante para o crescimento e a evolução pessoal.

Estou à disposição!

Débora Paschoal Lambiasi

Ajudo adultos e casais a lidar melhor com seus pensamentos e emoções e se relacionar de uma forma mais plena e feliz.

Psicóloga clínica, atuando desde 2017 no atendimento psicoterápico individual e de casais com foco em terapia cognitivo-comportamental, terapia comportamental-dialética e terapia do esquema, atualmente atuando em atendimentos online individuais e de casal.